Bots Experience Day

As barreiras dos bots: padronização, aquisição de usuário, divulgação e monetização

Fernando Paiva, da Comissão Organizadora do Bots Experience Day, que participou do Mobile World Congress em Barcelona

Os desenvolvedores de chatbots enfrentam hoje algumas das mesmas dificuldades que aqueles de aplicativos móveis vivenciaram no começo da história dessa interface. Entre elas estão a dificuldade de aquisição de usuários, a falta de diretórios para distribuição e divulgação dos chatbots e a ausência de um modelo claro de monetização. Esta é a opinião de Arte Merritt, cofundador da Dashbot, empresa que monitora 2,3 mil bots que acumulam mais de 1 bilhão de mensagens trocadas em plataformas como Facebook Messenger, Slack e Qik. “O Facebook até hoje não tem um diretório para bots”, criticou.

Merritt participou junto com outros especialistas em um painel sobre chatbots e inteligência artificial nesta segunda-feira, 27, o Mobile World Congress, em Barcelona. Presente na mesma sessão, o CTO da IBM para o Watson, Rob High, destacou ainda o problema de falta de padronização. O executivo explicou que a construção de um bot requer três tipos de dados: 1) dados para treinamento do sistema cognitivo; 2) dados sobre o assunto específico sobre o qual o bot tratará; 3) dados sobre o histórico de conversas com cada usuário, para conseguir personalizar o diálogo. De acordo com o executivo, falta padronização nos SDKs especialmente no tratamento dos dados de treinamento, o que gera certa dificuldade para os desenvolvedores de bots.

Conversação: uma interface universal
Apesar das barreiras, os participantes do painel concordam em relação ao potencial dos chatbots e de assistentes pessoais como um novo canal poderoso de interação entre pessoas e tecnologias.

“A conversa é a interface mais natural que existe”, disse o diretor do Google Assistant, Gummi Hafsteinsson. Afinal, não há nada mais natural para o ser humano do que conversar, seja por voz ou por texto. Essa foi uma das razões que levou o Google a desenvolver o seu assistente pessoal. “Criamos o Google Assistant porque procurávamos uma maneira natural de interação com a tecnologia. E a conversa não requer aprendizado”, comentou. “Com tudo conectado, as coisas estão ficando complicadas. São muitos serviços e muitos devices. Nesse contexto percebemos o poder da interface conversacional. Ela tira a necessidade de se aprender uma interface para cada serviço ou aparelho”, acrescentou. O Google Assistant, lançado originalmente dentro do mensageiro Allo e como parte integrante do smartphone Google Pixel, agora está presente também no Google Home, em relógios (com a nova versão do Android Wear) e pode ser levado para qualquer outro objeto conectado, como carros e TVs.

Comportamento social
Paralelamente, há questões de ordem social e comportamental levantadas pelo advento dos assistentes pessoais e chatbots. A diretora de bots e inteligência artificial da Sage, Kriti Sharma, destacou que as crianças da nova geração podem não aprender boas maneiras conversando com os assistentes pessoais, já que estes cumprem ordens sem ouvir “por favor”e não se incomodam se você esquecer de agradecer no final. A executiva acrescentou que muitos dos assistentes pessoais adotam vozes femininas, o que poderia agravar o preconceito de gênero. “Qual será o impacto social disso para as próximas gerações? Nós desenvolvedores precisamos pensar sobre isso”, disse Sharma. “Não tenho uma resposta para isso. Temos que pensar a respeito da forma como falamos com as máquinas. Precisamos encarar isso como um desafio”, reconheceu Hafsteinsson, do Google.

Bots Experience Day
O potencial do mercado brasileiro para chatbots e tema principal do seminário Bots Experience Day, dia 20 de março, no WTC, em São Paulo. O evento é organizado por Mobile Time e chega á segunda edição com uma série de cases pioneiros de chatbots nacionais de diferentes verticais, além de palestras sobre o potencial do mercado brasileiro, métricas de desempenho de um chatbot; os limites da aplicação de inteligência artificial em chatbots; o processo de construção da personalidade dos bots; a longevidade dos bots; aspectos jurídicos relacionados a chatbots, dentre outros temas.

Entre os palestrantes confirmações estão:

Daniel Carvalho, diretor de desenvolvimento de novos negócios para a América Latina, Twitter;
Roberto Oliveira, CEO, Take
João Azeredo, diretor da Oracle responsável por contencioso na América Latina;
Fernando Tchê, sócio-fundador da Outra Coisa, braço de inovação da agência de publicidade Artplan;
Rodrigo Siqueira, fundador da InSite, empresa responsável pelo robô Ed, chatbot da Petrobras que ficou 13 anos no ar.
Marcelo Finger, professor titular do Departamento de Ciência da Computação, IME-USP

A programação atualizada do evento e mais informações sobre inscrições estão disponíveis em http://botsexperience.com.br/

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