O poder da gratidão – Por Dr. Martin Portner

O poder da gratidão

*Por Dr. Martin Portner
Médico neurologista e mestre em neurociência pela Universidade de Oxford

Gratidão é o antídoto da infelicidade. Sim, a princípio não parece que uma coisa tenha a ver com a outra, mas pesquisas mostram uma relação estreita (e inversa) entre elas.

O sentimento de estar agradecido – principalmente quando é a si próprio – e as vias cerebrais envolvidas nesta operação indicam que o sentimento de gratidão contrapõe-se às emoções negativas – raiva, irritação, antipatia e desgosto, por exemplo.

Como essas emoções básicas negativas são “residentes” nas engrenagens do cérebro humano e a gratidão não é promovida a não ser através de uma experiência consciente, resulta que o sentimento de gratidão reflete um esforço para promover sentimentos positivos e enxergar a vida como um desafio que vale a pena ser vivido. Esse esforço, uma vez alcançado, faz com que cérebro recompense a mente.

Mas e a empatia? – alguns me perguntam. O que ela tem a ver com a gratidão?

Tudo. Tudo a ver! – respondo prontamente.

Empatia é a qualidade humana que permite ativar internamente circuitos emocionais idênticos aos que estão sendo vivenciados pela pessoa com quem estamos interagindo. Por esta razão chamamos os neurônios cerebrais envolvidos neste processo de neurônios em espelho. Em essência, a empatia é o que permite sermos gratos à nossa incrível humanidade.

A gratidão ativa a liberação de dopamina, um dos neurotransmissores envolvidos no sentimento de recompensa. O resultado é imbatível: o sentimento genuíno de gratidão nos deixa bem por muitas horas.

Mas não basta, por exemplo, ser grato ao bom tempo, à saúde pessoal ou à família. É necessário haver a busca por um evento/pessoa/situação que possua um significado pessoal que pode ser sentido fisicamente (um frio na barriga, uma calmaria no peito, a vontade dar um abraço). Agora sim, está preparado o caminho para a verdadeira gratidão – e o bem estar que segue.

Precisamos decidir pela gratidão, precisamos agir internamente para sermos gatos a alguma coisa. No entanto, essa decisão não nasce em situações em que estamos estressados. No estresse, a amígdala cerebral age nos bastidores para que a gratidão seja entendida como supérflua. Por esta razão, a gratidão anda lado a lado com ao estado denominado de mindfulness. Na meditação mindfulness você coloca sua concentração na respiração ou no batimento cardíaco no peito. Isso promove um estado interior de calma e de afastamento dos pensamentos ruidosos.

Esta é a fase para que na quietude da mente possamos decidir pelo “desejo ser grato”. Aqui se inicia o processo da gratidão consciente.

Pessoas com experiência no estado mindfulness estendem seu bem estar através da gratidão e, ao final, se tornam pessoas bem sucedidas. Isso porque mindfulness, empatia, gratidão e sucesso são qualidades que andam lado a lado na mesma pessoa. Nesta ordem de alinhamento.

*Dr. Martin Portner é Médico Neurologista , Mestre em Neurociência pela Universidade de Oxford e especialista em Mindfulness. Há mais de 30 anos divide suas habilidades entre atendimentos clínicos e palestras, treinamentos e workshops sobre sabedoria, criatividade e mindfulness. www.martinportner.com.br

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